terça-feira, 9 de agosto de 2011

Crônica literária: Jogo de ideias

Em "O Videogame do Rei", Silvestrin faz uma reflexão sobre os relacionamentos e o poder

Já fazia algum tempo que eu tinha vontade de ler "O Videogame do Rei", do gaúcho e atual presidente do Instituto Estadual do Livro, Ricardo Silvestrin. O que deu um espaço definitivo ao livro na minha pilha, foi o fato dele ser um dos participantes do Gauchão de Literatura 2011 - razão pela qual a presente crônica só está sendo veiculada hoje, apesar de ter sido escrita a mais tempo.
O livro, editado peça Record, contudo, não me passa a ideia de ser um romance - critério de escolha dos livros do Gauchão desta ano. Ele é mais uma alegoria, aproximando-se dos trabalhos dos grandes filósofos. Escrito quase todo em diálogos, "O Videogame do Rei" não se detem nos detalhes. Está mais preocupado no fazer-se e desfazer-se das ideias, dos ideais, do que nos personagens em si mesmos. Mas isso nem de longe impede o autor de fazer importantes reflexões sobre o poder, sobre os sonhos e os ideais - construidos, abandonados, e retomados - e o verdadeiro papel de cada um no jogo da vida.
Os capítulos curtos narram a história de um rei e seu reino, sua guerra e sua rainha. De como ele criou uma espécie de jogo na ânsia de fazer o povo evoluir, e do que resultou disso, de como ele ficou "pendurado", certo dia, e de como se solucionou esse impasse.
Equilibrando o texto entre a linguagem alegórica e o vocabulário cotidiano, Silvestrin escreveu algo para nos fazer pensar - um artigo sempre bem-vindo e nem sempre fácil de encontrar, até por ser difícil de ser concebido. Para ler numa tarde e ficar lembrando por dias depois, dando algo de útil a fazer com pensamento que hoje em dia anda tão embotado de romantismo barato e denúncias variadas.

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