Para quem visita de vez em quando, ou para quem é frequente, aqui ficam os meus votos de um Ano Novo cheio de grandes e maravilhosas coisas para todo mundo!
Que venha 2011!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
Crônica: Natal
Este ano, meu Natal foi povoado por personagens diferentes. Não teve a visita do Papai Noel, mas também faz um tempão que ele não aparece com o tradicional barrigão. Mas foi um Natal cheio de duendes e elfos.
Em Novo Hamburgo, um velho personagem teve nova vida: Gudlin teve duas oportunidades para divertir grandes e pequenos. A primeira vez, no espetáculo do grupo Endança, A Máquina de Fazer Brinquedos, coreografado e dirigido por Tuane Correa, professora do grupo. Foi um espetáculo lindo, cheio de colorido e riso, capitaneado pelo duende predileto do Papai Noel, e por Fabiano Lima, coreógrafo, bailarino e professor, que fez o papel do Bom Velinho e, a bem da verdade, roubou a cena em várias oportunidades.
Mas Gudlin voltou poucas semanas depois, na pele de Paulo Stürmer, ator e performancer aqui de Novo Hamburgo, para contar várias histórias. Não tive a oportunidade vê-lo muitas vezes, mas na que assisti ao show, foi muito bacana, porque as crianças ficam encantadas com aquele sujeito alto de chapéu e grandes sapatos. Lindo e emocionante, Gudlin arrancou gargalhadas das crianças mas, sobretudo, dos pais, que pareciam mais encantados nas histórias do personagem, do que os próprios pequenos. Somando à sua atuação suas habilidades circences, Paulo deu a Gudlin um encato próprio que deixa a gente de boca aberta. A verdadeira magia é saber fazer o coração vibrar. E finalmente, no dia 21 de dezembro pude assistir ao desfile Bom Natal, Sonho e Fé, organizado pela prefeitura de Bom Princípio, a terra do moranguinho (imagem à direita). O desfile não foi apenas uma sucessão de carros, mas uma verdadeira peça de teatro encenada na avenida, com direito a todo o encantamento do Natal, somado ao talento dos habitantes da cidade. Meu trabalho foi apenas escrever o roteiro. Desde ontem estou tentando colocar o vídeo que fiz sobre o desfile na rede, mas ainda não deu jeito. É muito grande, me diz a rede que, dizem, guarda tudo. Tudo o que seja de um tamanho que a rede ache do tamanho ideal, eu acho.
Enfim, Bom Natal, Sonho e Fé foi um acontecimento maravilhoso, com luz, cor, música, encantamento puro. Se eu conseguir achar uma maneira, ponho na rede. Senão, se você quiser muito ver o vídeo (que também, não é nenhum Spíelberg, mas é de coração), escreva para mim: contato@porteiradafantasia.com e eu dou um jeito de enviar o vídeo.
Contudo o mais legal de todo esse trabalho é que se o Papai Noel não veio pessoalmente, também não esqueceu de mim: presenteou-me com muito novs bons amigos, gente querida e cheia de coração, coragem e vontade de fazer. Para quem, com eu, que vive a Fantasia todos os dias no ano, não pode haver melhor presente do que esse. Feliz Natal!
Em Novo Hamburgo, um velho personagem teve nova vida: Gudlin teve duas oportunidades para divertir grandes e pequenos. A primeira vez, no espetáculo do grupo Endança, A Máquina de Fazer Brinquedos, coreografado e dirigido por Tuane Correa, professora do grupo. Foi um espetáculo lindo, cheio de colorido e riso, capitaneado pelo duende predileto do Papai Noel, e por Fabiano Lima, coreógrafo, bailarino e professor, que fez o papel do Bom Velinho e, a bem da verdade, roubou a cena em várias oportunidades.
| Paulo Stürmer na pele de Gudlin |
| O cobrador do trem dos sonhos de Bom Princípio |
Contudo o mais legal de todo esse trabalho é que se o Papai Noel não veio pessoalmente, também não esqueceu de mim: presenteou-me com muito novs bons amigos, gente querida e cheia de coração, coragem e vontade de fazer. Para quem, com eu, que vive a Fantasia todos os dias no ano, não pode haver melhor presente do que esse. Feliz Natal!
| No abraço de Margarete Kaspary, o abraço simbólico em toda a equipe do Bom Natal, Sonho e Fé e em toda a comunidade que fez de uma projeto, uma realização |
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Crônica literaria: Um conto de sombras e prata
Impecável, inesquecível e delicioso
Quando eu era criança, costumava contar uma historinha cruel para mim mesma, antes de dormir: era a história de uma menina que sofria um assalto terrível e terminava refugiando-se em um cemitério. Dada como morta, a criança era resgatada pelos fantasmas que habitavam o lugar e finalmente sobrevivia para voltar ao mundo - coisa na qual, na verdade, ela não estava muito interessada naquele momento. O mundo dos mortos era muito mais acolhedor e interessante. Os mortos não estavam interessados em fazer mal a ninguém.
Delícia!
Foi o que eu fiz. Mas no começo, confesso, tive de abandonar a leitura. Problema de horários e de disposição anímica. Tive o receio de ter nas mãos outro Coraline, livro de Gaiman pelo qual não nutro a menor simpatia.
Ledo engano.
O Livro do Cemitério é a melhor coisa que já li de Gaiman (mas também é verdade que não li tudo). De vez em quando lembra Alice no País das Maravilhas, de vez em quanto lembra Peter Pan, mas não é nenhum deles, é simplesmente ele mesmo, o livro que conta a infância de Ninguém Owens. Sombrio, enevoado, prata e luar, o livro é para ser lido, relido e curtido muitas vezes. Um texto impecável que flerta com os limites do literário e do poético. Só a sua qualidade já justifica sua leitura. A qualidade da história narrada é o prêmio extra.
Nin Owens sobrevive ao assassinato de sua família refugiando-se em um velho cemitério no alto da colina do bairro onde mora. Ali recebe o carinho e a acolhida dos habitantes do lugar, velhos fantasmas de diferentes épocas, que se esmeram em lhe dar educação. A infância de Nin, então, será marcada pelo estranho, mas não pelo mórbido, nem pela estagnação: se há uma coisa que o cemitério onde vive Nin não é, é um lugar calmo e sem agito. Há de tudo, bruxas, poetas, professores, guardiães, monstrinhos divertidíssimos e mistérios para se resolver com coragem e inteligência. Maravilhoso o tratamento dado pelo autor aos guardiães de Nin, aliás, que a gente adivinha o que são o tempo todo, mas cuja natureza não é citada nenhuma vez, salvo a da Srta. Lupesco.
O livro tem uma leitura psicológica impecável, e mesmo o único senão que me ficou - o fato de Nin ser um "predestinado", tema que não me apaixona nem um pouco - se encaixa nisso. E ainda por cima, o autor faz uma reflexão sobre a predestinação como destino, ou como uma situação à qual o protagonista é levado por ação dos vilões que tem medo do cumprimento de uma profecia. Ou seja, as profecias se cumprem porque devem se cumprir, ou somos nós que, arrastados pelo medo, lutamos contra elas, criando situações que fazem com que elas se cumpram, finalmente?
Reflexões à parte, O Livro do Cemitério é uma história de prata e sombras para falar da infância e do crescimento. De ser inocente, de ser forte, de ter coragem, de ser sozinho em si mesmo, de assumir sua identidade tal como ela é. Pode ser lido como um conto infantil, adolescente ou adulto, como você quiser: como todo bom livro, a história de Nin dirá uma coisa diferente a cada leitor, a cada faixa etária. Um autêntico conto de fadas sob o luar, entremeado de sombras e magia.
Aliás, como todos os contos de fada deveriam ser.
Quando eu era criança, costumava contar uma historinha cruel para mim mesma, antes de dormir: era a história de uma menina que sofria um assalto terrível e terminava refugiando-se em um cemitério. Dada como morta, a criança era resgatada pelos fantasmas que habitavam o lugar e finalmente sobrevivia para voltar ao mundo - coisa na qual, na verdade, ela não estava muito interessada naquele momento. O mundo dos mortos era muito mais acolhedor e interessante. Os mortos não estavam interessados em fazer mal a ninguém.Já os vivos...
Por isso, ninguém pode imaginar a surpresa que tive quando li a sinopse de O Livro do Cemitério de Neil Gaiman, editado pela Rocco, com tradução de Ryta Vinagre (com um destaque especial para para as ilustrações de Dave McKean, que, como sabem os leitores do Sandman, assinou várias capas do lendário gibi). Era como se a minha história estivesse ali, plasmada nas páginas do livro, com duas grandes vantagens: a primeira é que agora eu poderia saber o final da história, já que de pequena eu dormia, invariavelmente, antes mesmo de chegar à metade do meu próprio relato.
E a segunda era contar com um texto escrito por um dos melhores escritores de Fantasia. Tudo o que eu tinha de fazer era comprar o livro e ler.Delícia!
Foi o que eu fiz. Mas no começo, confesso, tive de abandonar a leitura. Problema de horários e de disposição anímica. Tive o receio de ter nas mãos outro Coraline, livro de Gaiman pelo qual não nutro a menor simpatia.
Ledo engano.
O Livro do Cemitério é a melhor coisa que já li de Gaiman (mas também é verdade que não li tudo). De vez em quando lembra Alice no País das Maravilhas, de vez em quanto lembra Peter Pan, mas não é nenhum deles, é simplesmente ele mesmo, o livro que conta a infância de Ninguém Owens. Sombrio, enevoado, prata e luar, o livro é para ser lido, relido e curtido muitas vezes. Um texto impecável que flerta com os limites do literário e do poético. Só a sua qualidade já justifica sua leitura. A qualidade da história narrada é o prêmio extra.
Nin Owens sobrevive ao assassinato de sua família refugiando-se em um velho cemitério no alto da colina do bairro onde mora. Ali recebe o carinho e a acolhida dos habitantes do lugar, velhos fantasmas de diferentes épocas, que se esmeram em lhe dar educação. A infância de Nin, então, será marcada pelo estranho, mas não pelo mórbido, nem pela estagnação: se há uma coisa que o cemitério onde vive Nin não é, é um lugar calmo e sem agito. Há de tudo, bruxas, poetas, professores, guardiães, monstrinhos divertidíssimos e mistérios para se resolver com coragem e inteligência. Maravilhoso o tratamento dado pelo autor aos guardiães de Nin, aliás, que a gente adivinha o que são o tempo todo, mas cuja natureza não é citada nenhuma vez, salvo a da Srta. Lupesco.
O livro tem uma leitura psicológica impecável, e mesmo o único senão que me ficou - o fato de Nin ser um "predestinado", tema que não me apaixona nem um pouco - se encaixa nisso. E ainda por cima, o autor faz uma reflexão sobre a predestinação como destino, ou como uma situação à qual o protagonista é levado por ação dos vilões que tem medo do cumprimento de uma profecia. Ou seja, as profecias se cumprem porque devem se cumprir, ou somos nós que, arrastados pelo medo, lutamos contra elas, criando situações que fazem com que elas se cumpram, finalmente?
Reflexões à parte, O Livro do Cemitério é uma história de prata e sombras para falar da infância e do crescimento. De ser inocente, de ser forte, de ter coragem, de ser sozinho em si mesmo, de assumir sua identidade tal como ela é. Pode ser lido como um conto infantil, adolescente ou adulto, como você quiser: como todo bom livro, a história de Nin dirá uma coisa diferente a cada leitor, a cada faixa etária. Um autêntico conto de fadas sob o luar, entremeado de sombras e magia.
Aliás, como todos os contos de fada deveriam ser.
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Crônica literária: Para quem coleciona dragões
Um romance de História Alterantiva, Naomi Novik nos brinda com uma excelente narrativa sobre dragões
Entre tantos dragões que têm surgido no cenário literário infantil e infanto juvenil, fica difícil conseguir inovar. Desde que Draco, de "Coração de Dragão", apareceu com seu humor irônico e um coração capaz de ser compartilhado, surgiram lagartixas crescidas de todos os tamanhos, variedades, cores e humores. Contudo, Naomi Novik consegue oferecer uma aventura diferente aos seus leitores, completamente focada na figura de Temeraire e seu companheiro humano Laurence, principalmente porque ela imprime ao seu dragão uma personalidade. Parece tolice dizer isso, mas realmente, Temeraire se distingue porque tem mida própria e uma forma própria de pensar, à qual a escritora anexa um cenário espetacular, com detalhes que poderiam figurar em qualquer clássico da época pré-vitoriana. O cuidado com o vocabulário de seus personagens, o tratamento dado aos relacionamentos sociais, tão complicados na Inglaterra em guerra com a França napoleônica fazem de "O dragão de sua Majestade" (Galera Record, tradução de Edmo Suassuna Filho) um livro especial. Não é apenas aventura e lutas espetaculares - elas existem em uma medida muito menor do que eu esperava à princípio - mas um retrospecto das geladas e delicadas formas de relacionamento da época, onde muito pouco se dizia e muito se tinha de deduzir. Interessantíssima é a trajetória do capitão Laurence, que de capitão da Marinha britânica se vê "transferido" para o corpo aéreo do contingente bélico inglês, por conta da conquista de um ovo de dragão. Pois no mundo de Novik - claramente uma narrativa ao estilo "o que aconteceria se existissem dragões" - dragões existem e compõem a força aérea de seus países, mesmo que não tenham tão clara a noção de "país" ou "nação". A única fidelidade dos enormes e maravilhosos animais é para com seus cavaleiros, nem que isso os leve à morte.
De início, Laurence encara a tarefa de servir no corpo de aviação como um guinada negativa do destino. Contudo, Temeraire conquista rapidamente o coração do ex-marinheiro - e dos leitores. A cena de nascimento do animal é simplesmente maravilhosa e se alguém não gostava ou não ligava para dragões até aqui, com certeza vai pedir um de Natal!Empenhados em fazer parte do contingente que irá enfrentar as tropas napoleônicas durante o bloqueio europeu contra as forças napoleônicas, mas também interessados em conhecer a origem do animal, o dragão e seu cavaleiro são transferidos à um enclave de treinamento, onde tomam contato com outras raças de dragões e outros personagens. E se Temeraire descobre o mundo à sua volta, Laurence vai descobrindo aos poucos outras formas de se relacionar com seus iguais, de modos muito menos formais do que os que ele está acostumado a ter. O livro, afinal, tem um fundo histórico, citando personagens como o almirante Nélson, ou batalhas, como o cerco à Trafalgar. É uma narrativa de história alternativa muito bem elaborada, rica em detalhes da época.
Eu disse que as cenas de ação são relativamente poucas, ou, no mínimo, menos que eu esperava para um livro que fale sobre um dragão engajado no Serviço Real. Mas isso não quer dizer absolutamente nada. A força da narrativa de Novik é tamanha, que cada cena de batalha tira o fôlego e faz com que a gente queira devorar as próximas páginas o mais brevemente possível, embora ao mesmo tempo dê vontade de se deter nas descrições primorosas, nos parágrafos elegantes ou imaginando as cenas que ela pinta com tanta maestria.
Mais uma vez, contudo, estamos tratando com uma série - o primeiro volume dela. Que bom, se os próximos livros forem tão bons quanto o primeiro. Que desastre, se a Galera Record resolver ficar só neste título, uma vez que o mercado brasileiro se rege por números impossíveis de comparar com os resultados de venda do lado de lá do Atlântico. Esperemos pelo melhor e pelos próximos volumes: a deduzir pelos títulos, Temeraire ainda tem muitas maravilhosas batalhas para lutar e nós muitas páginas emociontes para ler. Ainda bem!
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Sexta-feira, Dezembro 10, 2010
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Concurso Literário: Saiu o resultado
Enfim, finalmente encontrei a lista de premiados no 1º Concurso Literário promovido pela SECULT aqui de Novo Hamburgo. O anúncio aconteceu no último dia 03 de dezembro, nos últimos dias da 28ª Feira Reginal do Livro, e o prêmio será a públicação do texto em uma coletânea. Aqui estão os vencedores:
Categoria I (de 10 a 13 anos) – Gênero Poema
1º Lugar – Diário de Bordo – Pedro Alves Valentim
2º Lugar – Que mundo é esse? (relatos de um girassol) – Gabriela Crestina Benkenstein
3º Lugar – Eu e o mundo – Bárbara Bianca Leonel Barboza
Menção Honrosa – Caminhos & Destinos – Igor Wilbert
Categoria II (14 a 17 anos) – Gênero Poema
1º Lugar – O Mundo dos Mudos – Isadora Souza
(não houveram premiações para 2º e 3º lugar nem para Menção Honrosa)
Categoria III (acima de 18 anos) – Gênero Poema
1º Lugar – Morte Anunciada – Dagmar Roswita Schünemann
2º Lugar - Eumundo – Ana Maria Brandão Bremer
3º Lugar – Mundo Circo – Geraldo Trombin
Menção Honrosa – Inconstância – Pâmela Vieira
Categoria I (de 10 a 13 anos) – Gênero Conto
1º Lugar – Valentina e o Mundo – Amanda Ew Santos
2º Lugar – O Resgate da Paz – Bárbara Uchoa Göttert da Silva
3º Lugar – Mundo de Lucas – Ana Luiza Pereira Furlanetto
(não houve premiação para Menção Honrosa)
Categoria II (de 14 a 17 anos) – Gênero Conto
1º Lugar – Onze Semanas – Cristiane Hahner
2º Lugar – O Mundo sempre me surpreende – Laura Ungrad Ribeiro
3º Lugar – Um dia ensolarado – Graziele Iaronka da Silva
Menção Honrosa – Mundo Diferentes – Carolina Kauer
Categoria III (acima de 18 anos) – Gênero Conto
1º Lugar – Dedo Sujo de Tinta – Cristiano Enrique de Brum
2º Lugar – Eu e meu mundo - Eduardo de Paula Nascimento
3º Lugar – O velho e a sacada – Daniel Fernando Gruber
Menção Honrosa – Graus de Liberdade – Fernando Joner
Categoria I (de 10 a 13 anos) – Gênero Poema
1º Lugar – Diário de Bordo – Pedro Alves Valentim
2º Lugar – Que mundo é esse? (relatos de um girassol) – Gabriela Crestina Benkenstein
3º Lugar – Eu e o mundo – Bárbara Bianca Leonel Barboza
Menção Honrosa – Caminhos & Destinos – Igor Wilbert
Categoria II (14 a 17 anos) – Gênero Poema
1º Lugar – O Mundo dos Mudos – Isadora Souza
(não houveram premiações para 2º e 3º lugar nem para Menção Honrosa)
Categoria III (acima de 18 anos) – Gênero Poema
1º Lugar – Morte Anunciada – Dagmar Roswita Schünemann
2º Lugar - Eumundo – Ana Maria Brandão Bremer
3º Lugar – Mundo Circo – Geraldo Trombin
Menção Honrosa – Inconstância – Pâmela Vieira
Categoria I (de 10 a 13 anos) – Gênero Conto
1º Lugar – Valentina e o Mundo – Amanda Ew Santos
2º Lugar – O Resgate da Paz – Bárbara Uchoa Göttert da Silva
3º Lugar – Mundo de Lucas – Ana Luiza Pereira Furlanetto
(não houve premiação para Menção Honrosa)
Categoria II (de 14 a 17 anos) – Gênero Conto
1º Lugar – Onze Semanas – Cristiane Hahner
2º Lugar – O Mundo sempre me surpreende – Laura Ungrad Ribeiro
3º Lugar – Um dia ensolarado – Graziele Iaronka da Silva
Menção Honrosa – Mundo Diferentes – Carolina Kauer
Categoria III (acima de 18 anos) – Gênero Conto
1º Lugar – Dedo Sujo de Tinta – Cristiano Enrique de Brum
2º Lugar – Eu e meu mundo - Eduardo de Paula Nascimento
3º Lugar – O velho e a sacada – Daniel Fernando Gruber
Menção Honrosa – Graus de Liberdade – Fernando Joner
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Crônica: Nada de novo no rio
Mais peixes mortos no Rio dos Sinos. Alguma novidade? Nããão, responde o coro sem expressão alguma. Não é novidade. É a tragédia anunciada, continuada. Anunciada porque todo mundo que prestou alguma atenção nas aulas de ciências sabe o que acontece com os organismos que não são a bactéria pseudo-extraterrestre dos americanos, quando se substitui oxigênio por outras substâncias. Anunciada, porque todo mundo que tem mais de 40 anos, lembra bem do escândalo que era a poluição em Cubatão, por exemplo. Anunciada, porque todo hamburguense que tem mais de 30 lembra dos eventos de protesto promovidos pelos grupos de defesa ambiental em Novo Hamburgo nos anos 80.
Ou não?
Continuada, porque não é a primeira vez. Nem a última, não sejamos hipócritas. Mortande de peixes continuará acontecendo, e acontecendo, e acontecendo, ad infintum, ou até o sistema ficar sem peixes ou ficar tão contaminado que a única coisa possível a fazer será trocar água por refrigerante, que será mais saudável do que o velho e bom H2O (e não estou me referindo aqui ao outro refrigerante). E aí ouviremos, leremos, veremos: "a Natureza em fúria", "a Natureza assassina", a mal intencionada, ruim, maquiavélica Natureza esperando para nos dar o bote ali adiante, nós, os pobres e bons seres humanos, os herdeiros do Éden.
Ainda bem que Deus teve o bom senso de nos tirar de lá. Não havería mais Éden se estívessemos zanzando pelo Paraíso.
Ironias à parte, ninguém deveria se espantar com a situação. É o resultado óbvio e lógico de nossas escolhas. Por exemplo, quando escolhemos colocar plantas de recuperação que tornam potável apenas a água de consumo humano e não escolhemos criar plantas de recuperação que tratem a água utilizada por nós, para devolver limpo o que limpo encontramos - coisa que costumamos ensinar às crianças, quando queremos que elas deixem uma sala sem bagunça para a gente por em ordem depois, mas que somos incapazes de levar para todas as áreas da nossa vida. Escolhas que fazemos quando escolhemos disperdiçar esta água recolhida de um rio que nós mesmos sujamos sem contemplações e tornada potável à peso de ouro, lavando calçadas, garagens e telhados, não por que é necessário, mas por comodismo, porque lavar dá menos pó do que varrer, e porque abrir a mangueira dá menos trabalho do que usar uma vassoura.
Este tipo de escolhas. As que determinam nosso futuro. Nós escolhemos o tempo todo e o todo este tempo temos escolhido o paliativo em vez da solução. Disperdiçamos água, saúde e vida.
E ainda por cima, como gatinhos novos que brincam com a própria sombra, nos espantamos com o resultado. Despejei esgoto e os peixes morrem, nossa, que novidade! Mas não fomos nós, que alívio, desta vez foram os vizinhos, não se sabe de onde. É tão fácil jogar a culpa nos outros, sobretudo se os outros não tem nome, nem face. Foram os outros. Foi qualquer um. Qualquer um não sou eu. Como se não soubéssemos que somos parte deste todo chamado Sistema Ambiental. Como se não soubéssemos que a toda ação corresponde uma reação de igual força - que às vezes demora, é verdade. A Natureza tem seu tempo, que não é o nosso.
E tem seu preço também, que está começando a ser cobrado. Um preço que não será cobrado em dólares, reais ou euros. A pergunta é se seremos capazes de pagar essa conta.
Se continuarmos a achar que panos quentes resolvem, que falar adianta e que essa história de ecologia é conversa mole para boi dormir, é bem possível que não.
Ou não?
Continuada, porque não é a primeira vez. Nem a última, não sejamos hipócritas. Mortande de peixes continuará acontecendo, e acontecendo, e acontecendo, ad infintum, ou até o sistema ficar sem peixes ou ficar tão contaminado que a única coisa possível a fazer será trocar água por refrigerante, que será mais saudável do que o velho e bom H2O (e não estou me referindo aqui ao outro refrigerante). E aí ouviremos, leremos, veremos: "a Natureza em fúria", "a Natureza assassina", a mal intencionada, ruim, maquiavélica Natureza esperando para nos dar o bote ali adiante, nós, os pobres e bons seres humanos, os herdeiros do Éden.
Ainda bem que Deus teve o bom senso de nos tirar de lá. Não havería mais Éden se estívessemos zanzando pelo Paraíso.
Ironias à parte, ninguém deveria se espantar com a situação. É o resultado óbvio e lógico de nossas escolhas. Por exemplo, quando escolhemos colocar plantas de recuperação que tornam potável apenas a água de consumo humano e não escolhemos criar plantas de recuperação que tratem a água utilizada por nós, para devolver limpo o que limpo encontramos - coisa que costumamos ensinar às crianças, quando queremos que elas deixem uma sala sem bagunça para a gente por em ordem depois, mas que somos incapazes de levar para todas as áreas da nossa vida. Escolhas que fazemos quando escolhemos disperdiçar esta água recolhida de um rio que nós mesmos sujamos sem contemplações e tornada potável à peso de ouro, lavando calçadas, garagens e telhados, não por que é necessário, mas por comodismo, porque lavar dá menos pó do que varrer, e porque abrir a mangueira dá menos trabalho do que usar uma vassoura.
Este tipo de escolhas. As que determinam nosso futuro. Nós escolhemos o tempo todo e o todo este tempo temos escolhido o paliativo em vez da solução. Disperdiçamos água, saúde e vida.
E ainda por cima, como gatinhos novos que brincam com a própria sombra, nos espantamos com o resultado. Despejei esgoto e os peixes morrem, nossa, que novidade! Mas não fomos nós, que alívio, desta vez foram os vizinhos, não se sabe de onde. É tão fácil jogar a culpa nos outros, sobretudo se os outros não tem nome, nem face. Foram os outros. Foi qualquer um. Qualquer um não sou eu. Como se não soubéssemos que somos parte deste todo chamado Sistema Ambiental. Como se não soubéssemos que a toda ação corresponde uma reação de igual força - que às vezes demora, é verdade. A Natureza tem seu tempo, que não é o nosso.
E tem seu preço também, que está começando a ser cobrado. Um preço que não será cobrado em dólares, reais ou euros. A pergunta é se seremos capazes de pagar essa conta.
Se continuarmos a achar que panos quentes resolvem, que falar adianta e que essa história de ecologia é conversa mole para boi dormir, é bem possível que não.
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Terça-feira, Dezembro 07, 2010
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Crônica de viagem: Na estrada
Viajar não é só chegar aos lugares, também é estar na estrada
Sentada na poltrona confortável do ônibus o mundo vai passando por nós sem que nos demos conta. Às vezes o percurso passa em branco, por muito conhecido. Todas as curvas são previsíveis, todos os buracos no asfalto, todas as silhuetas contra o céu do horizonte. E às vezes a multidão de novidades é tanta que não conseguimos ver tudo, abrumados de desconhecido. É necessário deixar passar um tempo para ver o que ficou registrado na memória: aquela casinha rodeada de flores, aquele contorno de pasto com o gado indo devagar para casa, aquele edifício moderno cheio de vidros espelhados e arquitetura arrojada.
O mundo passa e a gente não se dá conta. Tenta, mas não consegue, porque tudo é rápido demais. A torre da igreja mal se viu, já se foi. O rio se vislumbrou, apenas, quando o ônibus venceu a ponte, depois é fita luminosa e paralela à estrada, até que não é mais e se perde na geografia dos vales. A moça, no banco ao meu lado, abre um leptop e se conecta à rede. Um mundo virtual cuja velocidade é regulável. Dá vontade de dizer para ela "olha, que lindas cores tem a plantação!". Ou então "naquele morro escuro e estranho tem um segredo, porque os segredos amam lugares escuros e estranhos". E ainda, "neste abismo o vento brinca de voar, é tanto espaço que ele sopra e ninguém escuta". Mas é tudo muito rápido e não dá tempo, a moça da internet parece cansada de fazer o mesmo trajeto que, longo ou curto, sempre depende do entusiasmo de quem o vê. O mundo virtual é tão mais tranquilo, só fala se lhe damos volume, só se move se clicamos na flecha. Lá fora é tudo ensurdecedor, o canto dos pássaros, o correr dos rios, os gritos das crianças, o rugido dos carros, tudo é veloz, tudo é único.
Irrepetível.
Não tem standbay, não tem pause, não tem como ver de novo. Quando eu passar pelo mesmo caminho, tudo será diferente: o mistério, o abismo, o rio.Eu serei diferente. Serei a soma de tudo o que o caminho me mostrou nas vezes que passei por ele. A soma de todos os caminhos que já percorri. A esperança dos caminhos que ainda me faltam percorrer.
Sem volume para regular, nem pause, nem "clique aqui".
Cada caminho é único, é única cada viagem. Nem que seja feita todos os dias, à mesma hora, a menos que a gente ignore o que se passa no mundo, refugiado no remanso virtual de nossa vida cotidiana, de costas para a janela, de frente para o virtual e o controlável de nossas telas eletrônicas. Dedo no mouse e no controle remoto.
Com medo do que se vê. Com muito medo.
Lá fora, o mundo segue impávido, mudança perpéta convidando ao jogo, à vida e à morte. Lindo e único, com toda a sua tragédia e toda a sua comédia. Ao vivo. De verdade.
Lá fora, do lado de lá da janelinha do ônibus que passa pelo mundo, numa viagem que vale por uma vida.
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Simone Saueressig
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Sexta-feira, Dezembro 03, 2010
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