quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Crônica: Dez coisas que eu queria ver em Novo Hamburgo em 2010

Lista é uma coisa meio tonta, não é não? Os dez melhores filmes da década, os dez melhores filmes, os piores, os mais bonitos, os mais elegantes, os maiores micos... essas coisas que, na verdade, fazem a diversão da gente. Então, entrando no espírito de ano novo, vida nova (não, não, década nova, só em 2011), aqui vai a minha lista de "As Dez Coisas Que Eu Queria Ver Em Novo Hamburgo Em 2010". Meio que "resolução de ano novo", sabe como é...

1. Todos os buracos (como o da foto aí abaixo, tirada na esquina das ruas Tapes com Salgado Filho) devidamente preenchidos e fechados.

2. Mais vida noturna sadia circulando pelas ruas.

3. Todos os espetáculos do Teatro Paschoal Carlos Magno, lotados.

4. Mais exposições de artes plásticas.





5. A SEMEC II, no Centro, sendo devolvida ao público e aos artistas, novinha em folha.

6. O espaço cultural Menelau pronto, reluzente, sendo inaugurado pelo Penscena, em Canudos.






7. Hamburgo Velho limpo, festejado e visitado o ano todo, e não só quando há eventos.

8. Nenhuma enxurrada ilhando as pessoas, como esta senhora aí lado, na rua Aimoré, em novembro.



9. A Igreja da Ascensão plenamente recuperada e livre dos cupins que a infernizam.








10. Pores do sol, ainda mais lindos que este da foto!


E muito mais que a gente deseja! Feliz 2010 para todos!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Link: Bicho-papão

Você já visitou o Bicho Papão, no www.youtube? Então clique na imagem abaixo e veja o vídeo. É a arte fazendo pensar em ecologia.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Patrimônio Histórico: Sessenta anos são uma vida

Em 1951, Novo Hamburgo ganhou um dos seus mais conhecidos cartões postais: a Igreja da Ascensão. Em estilo gótico, a igreja é um dos mais bonitos recortes do horizonte urbano, sobretudo à noite, quando a iluminação acentua sua dramaticidade e romantismo. Internamente é um templo bonito, simples, como toda igreja evangélica de confissão luterana, e elegante. Para quem nunca venceu as portas de madeira, fica a dica: o local vale a visita por causa dos bonitos vitrais, também de desenho gótico, que como todas as suas irmãs de estilo, estende sobre o chão e os bancos, delicados tapetes de luzes coloridas.

Mas, como outras construções do patrimônio história hamburguense, a Igreja a Ascensão está pedindo socorro. O problema com os cupins está beirando a calamidade e se não houver uma movimentação em regra da sociedade hamburguense, perdermos uma guerra digna da ficção-científica tupiniquim: a guerra contra um bicho pequenino, repugnante e irritante. Um mero inseto, mas que pode derrubar uma parte da igreja.

Claro que todo mundo sempre acha que as igrejas, de uma maneira geral, por serem instituições que não pagam impostos, etc e tal, tem dinheiro de sobra para fazer as reformas que forem preciso, e quando isso não acontece, as más línguas saltam, rápidas, cheias de coisas a dizer.

Mas uma igreja não pertence apenas à comunidade que se serve dela como templo. Uma igreja, seja ela da confissão que for, é antes de mais nada um espaço social, onde pessoas se reúnem para muitas coisas: rezar, fazer as sociais, louvar ao Senhor ou fofocar sobre o vestido da conhecida. É um local para quem namora quem e se encantar com os bebês, se canditar à madrinha, bancar o cupido, combinar um chopp. Pode ser um espaço para espetáculos, como foi o lançamento do CD do Quarteto Barlavento, ou até de palestras. Assim que, sem ser exatamente público, é um espaço aberto ao público.

De modo, que todo mundo deveria de se preocupar com a continuidade deste espaço que, mais do que nada, leva em cima quase 60 anos de história. Sessenta anos da nossa história.

Sessenta anos, são uma vida.

A Igreja da Ascensão necessita da ajuda da sociedade hamburguense para terminar sua reforma e continuar de portas abertas para receber as pessoas. Seria muito bom se todos nós fizéssemos nossa parte. Alguma coisa, qualquer coisa.

Antes que fotos lindas, como as que ilustram esta crônica, se transformem, somente, em memória.

Se você quiser fazer alguma coisa pela Igreja da Ascensão, ligue 3582.4399 e se informe. A cidade agradece.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Crônica: Noite de Natal

25 de dezembro. Passava pouco das dez de noite. O Natal já ia acabando e me deixando com uma sensação de vazio. Dei o presente, sim, fiquei feliz, a presenteada também ficou, mas por razões que só o fim do ano conhece, fiquei com uma sensação de que não tinha acontecido nada. Olhando para a TV, já estava pensando que melhor teria sido dar o presente tão logo comprei. Para quê esperar três, quatro dias?
Não. Estava faltando alguma coisa.
Então, de repente, aquela música. Se não me engano, uma versão brasileira do Tannenbaum¸ se é que assim que se escreve. O volume era abusivo, sobrepassava o concerto que assistíamos na TV.
Daí já vem aquela idéia: carro de som, homenagem, serenata, alguém de aniversário, alguém fazendo uma festa de Natal... corremos à janela para ver o carro com alto-falante potente, lataria brilhante, locutor vestido de papai noel. Mas não, não era nada disso.
Era o carroceiro. Novo Hamburgo tem um carroceiro caprichoso, que enfeita a sua carroça com as bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Sul, luzes de sinalização, fita, flor, tudo o que der. Ele vai catando papelão e juntando na garupa da sua carroça, onde também fica um sistema de som com bons alto-falantes. Normalmente ele vai tocando música sertaneja, mas nessa noite ele resolveu variar o repertório.
A música trocou de Tannenbaum para Jingle Bell’s. Acho que o cantor era o Roberto Carlos, não sei. O carroceiro parou sua condução, desceu para escolher os papelões que ia levar. Uma menina, não sei se filha, desceu também da carroça, ensaiou uns passos, rodopiou devagarinho. Eles não olharam para os lados, para ver se alguém estava olhando. Ser visto não era importante. Não era importante receber um aceno, uma reclamação, um olhar sequer. O importante era cantar o Natal, o Natal que lhe dá mais trabalho e mais retorno, o Natal da noite quente, da rua tranquila, sem movimento, sem buzina, acelerador ou freada que espante o cavalo caramelo que puxa a carroça.
O homem pegou seu papelão e subiu na boléia debaixo do toldo, seguido da menina. A carroça foi adiante, o cavalo esforçando-se por puxar tudo, as luzes de sinalização piscando o alerta, iluminando a calçada de amarelo e os ramos baixos das árvores da calçada de azul, com os enfeites luminosos que levava em cima. O animal pegou o tranco e o carroceiro se foi, sem pressa mas sem se demorar, se foi até o fim da rua, dobrou a esquina e foi se perdendo no emaranhado da cidade.
A melodia o acompanhava como uma serpentina ondulando na noite quente, dobrando esquinas, emergindo dentre os prédios, até ir, bem aos pouquinhos, se desfazendo debaixo do céu.
E por alguma razão que só o fim do ano conhece, o vazio no meu peito se encheu. Ficou por aqui uma coisa boa e densa, uma certeza, eu acho, uma certeza, não sei de quê, exatamente. Talvez a de que o Natal acontece independente das nossas mazelas, ou a de que a vida pode ser bela apesar de não ser perfeita ­– principalmente por não ser perfeita –, ou a de que o mundo segue seu curso, girando sozinho na vastidão. Independente de nós. Simplesmente sendo o que é.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Literatura: Audaciosamente indo onde nenhum homem branco jamais esteve

Simone Saueressig

O mito de P.H. Fawcett continua vivo e dando pano para manga. Das expedições para a lenda, da lenda para o cinema, do cinema de volta para a realidade, desde o seu sumiço nas mata embrenhadas do Xingu em 1924, o tenente-coronel inglês Percy Fawcett continua sendo a mesma figura carismática que reviveu o mito do Eldorado e acendeu na alma do milhares de homens contemporâneos do carro à gasolina a paixão pela exploração, pelo limite e pelo desconhecido. E como todo o símbolo, sua figura mostrou-se suficientemente forte para continuar causando o mesmo efeito no homem do início do século XXI, do contemporâneo do computador portátil, do telefone celular e do GPS. Agora chegou a vez de David Grann se render ao fascínio desta figura real que se diluiu em lenda à sombra da floresta mais incrível – e sinistra – do mundo: a Amazônia.
O que mais me chamou a atenção em “Z – a cidade perdida” (Companhia das Letras, 2009, tradução de Cláudio Carina), foi o discurso e a construção do livro que nada mais é do que uma nova biografia do incrível explorador do início do século XX que inspirou o impagável Indiana Jones. Com um texto muito bem humorado e fragmentado, David Grann, jornalista que escreve para periódicos do nível da New Yorker e do Washington Post, recria a trajetória do inglês que foi um dos últimos representantes da exploração romântica, onde homens munidos com pouco mais do que de uma bússola, uma faca e muita coragem, percorriam o interior dos sertões, as vastidões geladas dos pólos ou os picos das montanhas, para mapear, descrever e conhecer o planeta Terra. É claro que a Amazônia não poderia ficar de fora.
De fato, ao ler sobre as missões de Fawcett, fica-se com a impressão de que o Brasil tem lá sua cota de dívida com sujeitos como ele que ajudaram a mapear e demarcar as fronteiras do interior, sobretudo as que dividem a Amazônia. Chama a atenção as atitudes de Fawcett para com os índios, sua capacidade de observação e a opção por aprender com os homens que viviam na floresta, encontrando, assim, soluções para resolver alguns dos problemas terríveis que se abatiam sobre as expedições do início do século XX, levando as equipes à paroxismos de loucura e morte. E, sem dúvida alguma, destaca-se ao longo do texto sua determinação, coragem e fortaleza física, e sua inabalável crença de que a floresta tropical era capaz de abrigar uma civilização avançada – crença que se transformou em obsessão, mas que hoje pode ser entendida de outra forma. Na verdade, muito nos revelaria a Arqueologia, se houvessem mais projetos na área sendo desenvolvidos com o aval de autoridades e universidades brasileiras.
Ao longo da leitura do livro, a própria floresta se ergue como uma personagem viva e única: tão terrível quanto fascinante, capaz de encantar um homem, atraí-lo para o seu seio quase alienígena e devolvê-lo para a civilização infectado com o seu encanto irresistível – só para voltar a chamá-lo vezes sem conta. A Amazônia é uma feiticeira. Em muitos documentos citados no livro, é chamada de “falso Paraíso”, porque as condições de sobrevivência de seu interior são tão duras que o Paraíso visto de fora se transforma em um inferno verde, quando visto desde dentro. Mas está certo: o homem branco, civilizado, cristão, imbuído de certezas e empáfias baseadas em conclusões nem sempre tiradas da realidade, é, de fato, persona non grata naquele que parece ser o Paraíso para quem sabe nele viver: enquanto as expedições sofriam de períodos terríveis de privações e falta de comida, enfrentando doenças e bichos que parecem saídos de um filme de terror classe B, os índios, perfeitamente integrados, sabem conseguir comida, água e medicamentos com, praticamente, estender a mão na direção do arbusto certo. Se no portão do Éden ficou de guarda um anjo com uma espada flamejante, na Amazônia os guardiões são menores: o tormento e a fúria da floresta não se revelam na forma de onças famintas, jacarés imensos ou cobras do tamanho de um bote – embora estas últimas sejam citadas. Na Amazônia, o que primeiro há que se temer são os mosquitos, as moscas e as formigas. Todo bicho que for maior do que isso, nos dizem as entrelinhas, não é apenas mais visível, como bem menos mortal. O livro contribui para focalizar melhor um lugar maravilhoso que, no entanto, precisa bem mais do que preparo para ser explorado: precisa ser compreendido. E preservado, também, porque como bom americano contemporâneo ao efeito estufa, David Grann aproveita para traçar alguns paralelos entre os limites da mata que Fawcett encontrou e os que se desenham hoje. Ponto a menos para nós, tupiniquins.
Contudo, é justamente aí que um brasileiro pode encontrar boas razões para criticar o livro. Os personagens citados como mártires do embate entre os povos da floresta e da própria floresta e os que desejam simplesmente enriquecer à custa de trabalho escravo e da destruição do meio-ambiente, são apenas os americanos que morreram assassinados nos últimos anos. Por exemplo, é uma pena que um livro que parece tão bem documentado, não cite Chico Mendes como uma vítima deste medonho cabo de guerra. E que um americano chame uma sucuri de jibóia, por desconhecer a diferença, é até passável, mas que isso tenha sido mantido na tradução, não dá para engolir – mais uma vez, já que há tantas notas do autor, a Cia. das Letras, que sempre é tão cuidadosa em suas edições, poderia ter se dado ao luxo de incluir notas explicativas quanto ao assunto.
Mas, enfim, é sempre bom saber como um americano vê nossa maior riqueza, e estar de olho no discurso das entrelinhas. Até porque, já se sabe, o futuro do planeta está naquelas copas verdes, naquele chão enlameado, naquela criatura que devora e provê, assustadora, fantástica e inebriante, o maior enigma em terra firme: a Amazônia. A verdadeira obsessão de Fawcett não era a cidade que ele sonhou e que a floresta de fato consumiu, mas a própria floresta que se encarregou de transformá-lo de homem em lenda, dando-lhe, por caminhos tortuosos e terríveis, a fama e a imortalidade com que sempre sonhou. Deuses retorcidos, os que escrevem o destino dos homens, retorcidos, sim, mas nunca traiçoeiros.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Crônica: Mais de mil papais-noéis...


Nas ruas de Novo Hamburgo, engarrafamento, e não só de carros: de gente também. Grandes, pequenos, adultos e crianças, todos com muita pressa vão pelas calçadas de loja em loja em busca do presente perfeito, bom, bonito, barato e desencanado. Leva-se o presenteado junto para garantir a escolha, para ter certeza de que a coisa vai agradar, de que não vamos errar nem vamos repetir a blusa, o sapato, o DVD.

Em meio ao corre-corre, me encontrei com ela: meio mamãe-noel, meio saltimbanco, óculos gatinha e macacão lilás, toquinha vermelha na cabeça. Papai-noel fashion pós-feminismo, pós-modernidade, pós-tudo, mais surrealista do que Dalí. Misto de felicidade por estar ganhando uns trocos com um servicinho extra, e felicidade obrigatória de época natalina, a menina-moça fazia de papai-noel anos 2000, papai-noel sem sexo, sem trenó, sem rena, sem neve, sem duende. Nem a música era de Natal, que ninguém aguenta Jingle bell's o dia todo.

Colega de trabalho de milhares de outros papais-noéis espalhados pelo mundo, como todos eles muito simpática, pousou para a foto.

Agora, olhando para o clic fico pensando nisso, nesse mistério que eu alimentava, o mistério do presente cochichado na orelha de um estranho ou escrito numa cartinha e que depois se concretizava num embrulho de papel. E percebo que a magia toda só se fazia porque alguém prestava atenção. Alguém parava para ouvir e olhar e essa era toda a diferença.

Ouvir é uma arte complicada. Exige calma e atenção, exige que não sejamos preconceituosos. Exige que paremos de atender tanto celular e mandar tanto e-mail, exige que estejamos presentes inteiros, de corpo e alma. Exige que doemos o tempo que nos é tão caro, o tempo que dizemos que não temos. Aqui, em Londres, em Madrid, em São Paulo, em Dubai, tudo vai e vem, o dólar sobe e desce e sobe de novo, as empresas se fundam e afundam para serem ressucitadas ali adiante, o sucesso se conquista e se perde e se conquista de novo, e tudo é negociável, tudo é possível, tudo, menos trazer de volta o tempo que já passou.

Mas se parássemos para escutar, talvez, apenas talvez, ao invés de ouvir o pedido de um presente caro, além das nossas posses e da nossa crise existêncial de início de milênio, quem sabe se não ouviríamos apenas um suspiro e um silêncio virado em sorriso, e um roçar de braços que abraçam e um estalar de lábios que são um beijo de irmão, e um sussurro dizendo "eu amo você e sinto a sua falta".

E vai que ao invés de ouvir um pedido - a exigência do outro -, ao parar para ouvir, recebamos nós um presente inestimável e irrepetível: a felicidade, essa coisa escorregadia que ninguém sabe dizer o que é, mas que todos nós sabemos bem o que significa.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Quase lá!

Quando O Jogo no Tabuleiro foi criado, na década de 80, a primeira idéia é que os jogadores eram arremessados ao mundo virtual do Tabuleiro, um super programa em 3-D, tão completo, tão capaz de reproduzir a realidade, que provocava nos jogadores respostas biológicas reais. Dessa forma, os ferimentos seriam reais, e, no caso dos jogadores eliminados, a morte também. A idéia puxava um pouco para um curta que assisti certa vez no saudoso Galeria do Terror série televisiva dos anos 70 e 80, onde eram apresentados diferentes quadros (horrorosos) que remeteriam às histórias de terror apresentadas. A história original era a de um sujeito que, quando hipnotizado, tinha respostas biologicas reais às sugestões do hipnotizador. Ou seja, o comando sugerido, "enganava" o cérebro a tal ponto que o corpo do sujeito reagia como se estivesse diante da realidade. Finalmente, abandonei a idéia por achá-la difícil de convencer aos leitores e difícil de ser um dia reproduzida.

Tenho uma fé bastante limitada na inventividade humana, vê-se logo.

Agora, pesquisadores estão desenvolvendo programas de 3-D cada vez mais completos. Estamos quase lá. Confira a matéria em http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=mundos-real-virtual-encontram-se-maquina-inducao-sensacoes&id=010150091215&ebol=sim

Quem sabe, num dia muito próximo, não nos encontremos de verdade no Tabuleiro?

Espetáculo: Domingo, na Catedral

Domingo foi o encerramento dos concertos de Natal que aconteceram dentro da programação do Natal dos Sinos, organizada pela prefeitura de Novo Hamburgo. Foi um espetáculo bonito, com a participação da Banda do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Sinos, do Coral da Catedral, do Domus Estúdio de Dança e de várias pessoas da comunidade que participaram do Presépio Vivo. O destaque foi a solista do coral que simplesmente arrasou na interpretação de Jesus Cristo, eu estou aqui, velha canção do Roberto Carlos, que dá espaço para os bons cantores brincarem sobre a harmonia jazzística.
O conjunto do evento estava bem, apesar do calor sufocante que reinava na igreja. Não faltaram colorido e emoção, teve dança, teatro, a Sagrada Família encenada no meio do público e a comunidade presente ficou até o "Noite Feliz" do final. Enfim, é Natal, o Advento terminou e no final de semana que vem... canções ao pé da árvore? Não, que idéia: ou muito me engano, ou boa parte de Novo Hamburgo, se mudará para a praia. Natal? Ah, é, já veio e já passou, antes mesmo de chegar a Noite Boa. Mas o caminho até lá foi muito bom.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Tesouro Virtual

Um verdadeiro tesouro está sendo entregue de bandeja aos usuários da rede mundial de computadores. Trata-se do site http://www.lutzenberger.com.br/, que está disponibilizando gratuitamente a série de aquarelas e bico de pena sobre Porto Alegre antigo. A cada 35 dias, novas coleções serão disponibilizadas. Absolutamente imperdível!

Espetáculo: Muito show!

Só não aproveitou o sábado, quem não quis. Tá tem gente que não pode, que tem compromissos inadiáveis, mas quem ficou na frente da TV reclamando que a programação aberta é um desastre, foi porque não se ligou de fora da janela tem um mundo cheio de possibilidades.

Na Igreja da Ascenção, às 19 horas, o Quarteto Barlavento fez um show de promoção do seu CD "Ventos de Natal". O repertório foi natalino, remetendo às músicas do CD. Como o show ficou mais ou menos inserido no culto do domingo, que incluiu o batizado de um afortunado bebê cuja família ficou até o final do show, acredito que muita gente não prestigiou porque achou que se tratava de um evento religioso. Foi e não foi: é difícil de definir, uma vez que alinhavando as músicas uma locutora lia textos sobre o Natal (mas, também, nesta época é difícil fugir disso), e no final de tudo o pastor deu a sua bênção à comunidade. Mas a música não tem fronteiras, nem religião.

O quarteto está bem e bonito: afinados, os rapazes que fazem parte da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo capricharam nos arranjos. Mas eles podem ousar mais. O saxofone é um instrumento que remente imediatamente ao jazz e jazz é improviso, é balanço, é animação. O destaque da noite ficou, sem dúvida alguma, com White Christmas, e Jingle Bell's , que finalizaram o programa, logo após o toque dos sinos da igreja. O conjunto ficou muito legal e me remeteu a um momento mágico da minha estadia na Espanha: durante um show do maravilhoso conjunto de música galega, o Milladoiro, (que por sua instrumentação pode ser reconhecida como de raíz celta), ao pé da catedral de Santiago de Compostela, à meia-noite tudo parou para ouvir os sinos da torre central. Até porque, o sino se impõe: por seu volume, por sua beleza, por sua voz cheia e brasina, que não pede licença para existir. Na Galícia, aplaudimos emocionados. Aqui, o pastor partiu para a explicação: durante o Natal dos Sinos, organizado pela prefeitura, todos os sinos tocam às 20horas. Porque simplesmente não nos emocionamos, também, sem necessidade de explicações? Os sinos tocam à sua hora, seja ela qual for, dobram o tempo, não precisam se explicar, não deviam precisar se explicar: como o sol não pede licença para nascer, o sino não pede licença para tocar. A gente é que devia fazer a vênia sem nenhuma ressalva.

Com tudo isso, fiquei com a impressão que o show mesmo foram aquelas duas músicas do final. Animadas, swingadas, meio molecas: como todo som de sax deveria de ser.


Depois veio a outra molecagem, a gaudéria. Molecagem no bom sentido: o show do grupo tradicionalista gaúcho Os Fagundes , que trouxe na mala de garupa de seu repertório clássicos como Céu, sol, sul, Canto alegretense e Castelhana. O público encheu a praça, mas eu fiquei com a impressão que havia gente que foi pega de surpresa. Mas, vai!, e tem surpresa melhor do que chegar na praça e dar com um espetáculo desses? Deu para encontrar velhos amigos e abraçar gente que eu não via há algum tempo, numa festa que reuniu grandes e pequenos, crianças e velhos. Até Papai Noel tomando chimarrão, tinha! E se há uma coisa a destacar no show dos "guris", além da animação, é a excelente afinação vocal do grupo, sem falar naquele vozeirão do Ernesto. Ala pucha, que beleza!

Vale comentar a mensagem que os artistas passaram, falando sobre a importância da família e do convívio, não só durante o Natal, mas durante o ano todo. Por fim, Nico Fagundes lembrou aos hambuguenses que o movimento tradicionalista gaúcho tem uma profunda dívida com o CTG de Lomba Grande, o primeiro e mais antigo do Rio Grande do Sul, o que foi novidade para muita gente, inclusive para esta cronista. É, Novo Hamburgo não sabe apreciar a si mesmo...

Para terminar, na minha opinião o melhor da noite foi depois, ver a praça cheia de gente, famílias passeando, namorados sentados nos bancos escondidinhos, as Bancas cheias. Quem dera as noites de verão de Novo Hamburgo fossem sempre assim, sem a necessidade de um show para levar todo mundo para a praça, que todas as noites fossem de passeio, de caminhadas, de juras cochichadas e beijos roubados, e não aquele deserto que se verá dentro em pouco. O espaço urbano só é nosso quando nos apropriamos dele. Se não o fizermos, aqueles que usam a noite para multiplicar as sombras, continuarão a espalhar medo e medonhisses pelas páginas dos jornais - e pelas nossas vidas.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Crônica: Enfim, ar!

Olha só, uma raridade na mídia impressa da política gaúcha: a Secretária de Cultura hamburguense, Anita de Oliveira, prometeu e cumpriu! No início da atual gestão do PT em Novo Hamburgo, uma das primeiras reinvidicações da classe artística e da platéia hamburguense, foi o retorno do funcionamento do ar-condicionado do Centro de Cultura. A clássica promessa do conserto veio, mas as dúvidas foram imensas: afinal, todo mundo que passou pela pasta da cultura nas últimas três administrações prometeu a mesma coisa e não cumpriu. Teve secretária que prometeu ar-condiconado e cumpriu um lustre desnecessário para o saguão, por exemplo, mas agora, neste dia 18 de dezembro de 2009, eis que li no Jornal NH que nossa (nossa= platéia+artistas) principal reinvindicação foi atendida! E, ressalva seja feita, é um pouco irônico que a matéria do Jornal NH afirme que "Após mais de um ano fora de funcionamento, o ar-condicionado do Teatro Paschoal Carlos Magno voltou a funcionar (...)". Em 2007, uma aluna minha entrou em cena no espetáculo de final de ano com uma manga do figurino arregaçada, porque o calor dentro do teatro era insuportável (foto abaixo). Ou seja: como mínimo fazem dois anos inteiros que o equipamento estava fora de funcionamento.

Enfim, fico extremamente feliz com e pela atual equipe da pasta de Cultura. Parabéns à Anita e à Ariadne Decker, que é a Diretora de Cultura da cidade, parabéns à equipe que se empenhou no retorno do equipamento e obrigada a eles todos! Outras reinvidicações haverão (elas sempre existem e uma reforma nos banheiros destinados ao público poderia ser a primeira de uma lista que inclui um ar-condicionado novo e um gerador próprio para o teatro, entre outras "mimosisses"), mas pelo menos o micro-clima da platéia torna-se confortável e possibilita a real asssitências aos espetáculos que ainda estão por vir (veja a agenda ao lado).

Enfim, ar: para respirar e realizar a magia do teatro. Bendito seja!



24 mil (ou, "o bicho humano é um eterno insatisfeito")

Pois é... são as coisas que fico olhando e mesmo que eu me esforce por não me sentir lesada como contribuinte, não consigo: de acordo com a matéria veiculada no Jornal NH de hoje, 18 de dezembro de 2009, na página 33, o conserto do ruidoso e jurássico ar-condicionado do teatro do Centro de Cultura de Novo Hamburgo, custou a bagatela de 24 mil reais.

Bagatela, sim! Eu, de fato, não tenho nem um décimo disso na minha poupança, mas não é possível que nenhuma das três administrações públicas anteriores não tivessem 24 mil reais para consertar esse equipamento que, no caso do teatro Paschoal Carlos Magno, é indispensável para a utilização do espaço. Por exemplo, você sabia que em 2008 a administração pública destinou R$ 45.367,00 (ou seja, quase o dobro do que custou o conserto do ar-condicionado) para "Material p/ Áudio, Vídeo e Foto"? E que para "Premiações Desportivas" foram destinados R$ 11.410,00, contra R$ 300,00 para "Premiações Artísticas" e R$ 300,00 para "Premiações Científicas"? (fonte: http://www.novohamburgo.rs.gov.br/tcu/tcu_2008_10.pdf). Então, como pode ser que anteriormente "não havia" dinheiro para o conserto? Se havia para gastar com fotos, havia para gastar com uma necessidade de um espaço de utilidade pública.

Aqui existe uma discrepância, que me desculpem os desportistas! Não são apenas eles que levam o nome de Novo Hamburgo pelo Rio Grande do Sul a fora e pelo Brasil, mas nossos artistas cênicos e plásticos, também! Temos gente que se "criou" no palco do Paschoal Carlos Magno e hoje atua no centro do país como por exemplo Jarbas Homem de Melo, que semana passada atuou com Cláudia Raia no musical "Pernas pro ar", em Porto Alegre, ou Júlio Romero, que o público que prestigiava os espetáculos dos ano 80 conheceu de várias espetáculos de dança e teatro, e que hoje atua no elenco do parque Maurício de Souza em São Paulo. Temos Carolina Becker, que iniciou seus estudos de ballet clássico em Novo Hamburgo, encantou a cidade, e hoje é dona de uma escola de dança - pasmem! - nos EUA! E esses são apenas exemplos de gente que eu conheci pessoalmente, gente que começou aqui e terminou migrando, não apenas por ambição profissional, mas por necessidade de sobrevivência!

Está mais do que na hora de Novo Hamburgo assumir de fato sua condição de cadinho de talentos e valorizar seus artistas não apenas com palmas e público, mas também com incentivos realistas, como um teatro em boas condições, melhores espaços públicos para artes plásticas e musicais e incentivo público à produção de espetáculos. Nossos melhores "relações públicas", são os profissionais que saem daqui porque ambicionaram outros mercados, não aqueles que sairam daqui porque não tinham outra forma de sobreviver do seu trabalho.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Literatura: No coração das histórias

É muito interessante ver como ultimamente a estante de livros infanto-juvenis vem rompendo com os dogmas que até agora geriram a edição para jovens leitores brasileiros, apresentando livros de fantasia para um público que, diziam, não gosta de fantasia, e de bom tamanho para um público que, diziam, não gosta de ler. E mais interessante ainda é observar como na esteira dos livros têm vindo as versões cinematográficas, sem esperar o período de consagração, como foi com “O Senhor dos Anéis”, citação clássica, neste caso. Apesar das dificuldades que a obra de Tolkien oferece aos roteiristas, é inegável que esse marco da fantasia moderna levou meio século para ter uma versão completa à luz dos refletores, enquanto outras obras são quase que imediatamente levadas às telas. Casos à parte, estamos falando de “Coração de Tinta”.
Escrito por Cornélia Funke e editado no Brasil pela Cia. das Letras, com tradução de Sonali Bertuol, “Coração de Tinta” é uma história para amantes de histórias. O livro não é pequeno. Tem 455 páginas de uma leitura densa, de um texto caprichado que não teme nem o parágrafo rebuscado, nem o vocabulário menos facilitado, mas que não é, necessariamente, difícil de ler. As ilustrações são da própria autora, e são mais como uma lembrança de viagem à bico de pena, do que imagens que congelam um momento da narrativa em um trecho mais emocionante. Como curiosidade, ainda se destaca a citação que a autora faz à cada início de capítulo, recordando alguma passagem significativa de algum livro infantil ou infanto-juvenil, que tenha alguma ligação com o momento da aventura narrada. O interessante é que a ligação do trecho citado com o conteúdo do capítulo faz emergir das entrelinhas muitas vezes doces e poéticas, uma outra música, muito mais misteriosa e às vezes tenebrosa. Uma homenagem e tanto aos autores de livros infantis e juvenis, e ao mistério que é o significado do texto para cada leitor. Junto a isso, Cornélia faz uma leitura sobre a infância sem irmãos e sobre pessoas que amam coisas em detrimento de pessoas.
Ignorando o fato de não ser parte de uma série e longe das possíveis leituras psicológicas e psicoanalíticas que o livro propõe – como toda obra de arte – “Coração de Tinta” resgata a arte de ler em voz alta, como uma parte da magia que é a Literatura. Qualquer leitor mais apaixonado, qualquer colecionador, que seja de histórias em quadrinhos, qualquer escritor mesmo que de mesa de bar, sentirá na pele o arrepio de pavor e maravilha diante do mistério que é a leitura e do poder que o texto escrito adquire quando lido para uma platéia, proposto pela autora. Na história, o encadernador Mo e sua filha Meggie se vêem envolvidos com os personagens de um estranho livro chamado “Coração de Tinta” e isso é tudo o que se pode contar, sem romper o acordo tácito entre quem escreve a resenha e o escritor, que é não revelar a chave da narrativa. Mas se pode dizer sem medo de estragar a magia, que o livro é um flerte com a noção de “quais livros você levaria consigo para uma ilha deserta” e “quais personagens você gostaria de conhecer pessoalmente”.
O livro nos faz pensar sobre o quanto a Literatura perdeu ao ser transformada em uma experiência silenciosa e pessoal. Já não temos a figura do leitor que animava as noites familiares, figura obviamente substituída primeiro pelo rádio e depois pela TV e agora até mesmo as noites familiares se transformaram em experiências raras. O que é uma pena, pois é justamente a leitura em voz alta que permite que a Literatura seja uma experiência grupal. Mais do que qualquer coisa, “Coração de Tinta” resgata em suas páginas a arte de ler para os outros e a delícia de ouvir um bom leitor, aninhado em um abraço, ou apertando joelhos sob o queixo “naquela parte” que mete tanto medo, seja ela qual for.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Espetáculo: Boas novas

As apresentações da Rita Ribeiro Dança & Cia., dias 12 e 13 de dezembro, trouxeram trabalhos lindos para o palco do Centro de Cultura. Sou suspeita de falar: assinei cinco coreografias e dancei uma delas com um figurino que representou crescimento, descoberta e desafio, para mim: uma bata de cola, com a qual tive de aprender a lidar sozinha, já que não tive como fazer classes desta técnica no ano passado. Para quem dança flamenco, acredito que a bata de cola seja o equiparável ao nível da sapatilha de pontas do ballet clássico. Difícil, exigente e lindo, quando bem executado.

É difícil fazer uma avaliação do espetáculo por enquanto: eu não vi tudo (na verdade, vi apenas um trabalho completo e de frente, os outros vi todos de lado, desde as coxías). Mas posso falar dos aplausos, que foram muitos, do entusiasmo do público e dos comentários:performance nota dez, música excelente, figurinos lindos. No meio disso tudo, há um detalhe que nos fez respirar um pouco mais aliviadas: o retorno parcial do ar-condicionado do teatro. Neste final de semana ele funcionou pelo menos como circulador de ar, o que já fez uma diferença enorme, porque tivemos um fim de semana com temperaturas amenas. Pena que a notícia chegou tarde: nosso espetáculo não lotou em nenhuma das duas noites, e parte daqueles lugares vazios se deve ao fato de que o público não quer saber de ir a um teatro que funciona como sauna.

Enfim, quem não foi, lamento: perdeu um espetáculo colorido, belo, com boas coreografias e ótimas performances. Ainda bem que ano que vem tem mais.

Crônica: Bosque de luzes

Domingo, 13 de dezembro. Chego no teatro para trabalhar às cinco da tarde. Ainda é dia claro, acabei de engolir um sorvete às pressas - tudo que vai me manter em pé até às dez da noite, porque neste dia não posso me atrasar: tenho quatro meninas para maquiar e transformar em gatos charmosos. Que falta me faz o Elário numa hora dessas, penso cá com os meus botões, olhando a enorme bota vermelha que descansa ao lado da decoração natalina, no centro da Praça 20. O Elário é o maquiador mais competente que eu conheço. Me ensinou o que sei, e embora eu não saiba muito, sou grata a ele por isso. O que dá igual, porque ontem parece que esqueci tudo! De fato, a maquiagem dos meus gatos, sábado, não estava com nada! Hoje vou ter de fazer melhor, tudo em nome do colorido e do personagem. Em nome da magia do teatro. Passe de mágica também custa trabalho.

Na sala 31, onde vamos nos encontrar, já tem um monte de gente. Mas não são as minhas meninas, são os atores que vão atuar no Presépio Vivo, na Roselândia. Já tem figurinista que virou Rei Mago, dono de loja transformado em pastor, comediante virado em João Batista e bailarina transformada em anjo. As asas, douradas, azuis, beje, da cor que se quiser, repousam no chão, a espera da dona que me explica: são lindas, mas a armação incomoda, dói. Fico pensando que ela também é bailarina, que dança com sapatilhas de ponta, e na dor e no esforço que significa essa técnica clássica. É isso: a dor é o preço de ser anjo com asas ou sem elas.

As minhas "gatas" vão chegando aos poucos, uma, duas, uma de novo. Parecem gatos mesmo, essas crianças: falam o tempo todos, não saem de perto, mas não vêm quando a gente chama. E se por acaso me obrigo a levantar a voz, me olham com cara de ofendidas e assustadas ao mesmo tempo. Levo duas horas para maquiá-las adequadamente, meia hora a mais do que no sábado, porque no sábado usei pincel e no domingo uma esponjinha para aplicar a maquiagem úmida - palavra que se escreve sem o "h" que eu sempre ponho para logo tirar. Ponho "h" em "úmida" porque aí eu leio "húmida", como se o "h" do início e o "d" do fim fossem as árvores demarcadoras de um bosque frondoso e sombrio, que começa com um sopro de brisa quente africana.

Crianças maquiadas, reviso o grupo de "bonequinhas", repasso uma modificação na coreografia com as espanholas - tem aluna que não virá, porque a filhinha passou mal pela manhã. Depois deço para levar as crianças, encontro as alunas que não vi dançar, na escada: não vi dançar por conta dos gatos irriquietos e das alterações de última hora. Depois da coreografia das pequenas, subo de novo, deixo grupinho com uma aluna maior, para ver o restante da apresentação, e volto para a sala 31 amaldiçoando a minha "boa" idéia de coreografar, maquiar e dançar, tudo no mesmo espetáculo. Depois do intervalo, descemos todas: gatos enlouquecidos e espanholas de flores azuis espalhadas pelo corpo feito um jardim. A última revisão antes dos felinos entrarem em cena me desespera: é preciso improvisar uma solução para as caudas que estão caindo por conta do atraso na entrega dos figurinos, que nos impediu de fazer ensaios com os mesmos completos! E as gatas entram e dançam - lindas, de novo! -, dançamos nós evocando García Lorca e Camarón de la Isla, dançam as americanas do West Side Story. Quando subo as escadas outra vez, ao olhar para fora, percebo que a noite caiu sobre a cidade e eu nem vi. São nove e pouco da noite. As cores da praça deram lugar à escuridão das árvores que a cobrem, mas os troncos, iluminados por pequenas lâmpadas brancas, me fazem pensar que todos nós fazemos magia, mesmo quando parece que é apenas uma decoração natalina. Eu transformei quatro meninas em gatos malandros. As luzes, coladas aos troncos, transformaram a praça de sempre num bosque iluminado por dentro. Feito um encanto.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Agenda atualizada

Só para dar nos dedos da crônista que não presta atenção, ontem (ontem?!) peguei a programação oficial do Natal do Sinos e olha só o descobri: pelo menos a prefeitura de Novo Hamburgo está mantendo uma programação até o dia 06 de janeiro. Ainda tem muito concerto, coral, show de música e coisas para fazer até o ano que vem!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Crônica: Bancando a turista em casa

Dia destes, fazendo de conta que se é turista na própria cidade, fomos almoçar no "Delícias", rua Lima e Silva, 472. Não, eles não estão me patrocinando. Estão é fazendo um buffet delicioso, oferecendo um espaço super-agradável e atendimento gentil. Um destaque para o leitão à pururuca ou, se alguém preferir algo mais leve, o quitute de frango. No quesito saladas, uma pedida irrisistível é a salada de beringela com laranja e nozes. Poderosa e deliciosa! A mesa de sobremesas tem pratos gostosos mas é discreta, sem os arrebatamentos de outros locais. Achei de bom tom, já que o carro chefe do restaurante é comida salgada. Deixemos os pecados doces para as confeitarias, sim? Ah, o detalhe: o preço é muito, muito em conta!
Depois, como se não morasse aqui, fomos (re)descobrir o "Luna Bar". De casa nova, agora na Bento Gonçalves, bem no início do Calçadão, o tradicional bar do centro da cidade mudou-se para um espaço mais amplo, mais claro e muito mais charmoso, com promessas que, se concretizadas, farão deste o melhor lugar da cidade para um happy hour. E o melhor é o que café continua tão bom quanto antes! Já não é nem que vale conferir: vale frequentar, direto!
E como se não bastasse, terminamos a tarde na loja nova da "Digital" do Novo Shopping. A livraria aumentou o seu acervo, organizou o seu espaço e se tingiu de verde claro. Tem poltrona confortável para a gente sentar, conferir os novos títulos e cometer os desatinos literários de sempre. Delicioso!
Enfim, Novo Hamburgo tem seus locais. Só é preciso descobri-los.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Orçamento municipal

Informa o Jornal NH de hoje que o orçamento municipal para 2010 será votado hoje à tarde. O total é de R$ 497.590.012,29. Espero que deste orçamento total uma boa parte seja destinada à Secretaria da Cultura, para a manutenção do teatro Paschoal Carlos Magno (sim, continuarei a bater nesta tecla que me interessa como platéia, como artista e como contribuinte) e, quem sabe, para a tão sonhada reforma da SEMEC II, projeto que nos interessa a todos os que gostamos de teatro e cultura em Novo Hamburgo. Também precisamos de uma manutenção urgente nas fachadas dos edifícios municipais e dos monumentos e obras de arte espalhadas pelos espaços públicos da cidade. Estive re-vendo o livro de Isa e Joel Reichert (aquele que tem os maravilhosos textos de Henrique Schneider), "Novo Hamburgo, a cidade se revela" e me chamou a atenção o estado de alguns edifícios e monumentos, a ausência de uma limpeza mais constante. Tenho esperança (essa teimosa que sempre fica por último) de que este ano haverá uma maior preocupação quanto a este ponto. Não é apenas a pixação o que enfeia a cidade. O descaso também contribui, e muito!

Engraçado...

Para quem tem acompanhado a agenda aí ao lado: nada lhes chama a atenção? Olhem só, a programação que tenho agendada vai só até o dia 20 de dezembro. Depois disso, o quê? Só o silêncio? Um deserto natalino?
Se você tiver algum evento cultural, me mande um e-mail com os dados principais, inclusive cartaz, se tiver. Estou aberta à sugestões!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Rita Ribeiro on Broadway


Para quem gosta de música boa e dança, a dica é o espetáculo de fim de ano da Rita Ribeiro Dança&Cia. Este ano, o tema é musicais da Broadway! O show acontece no Teatro Paschoal Carlos Magno dia 12 às 20 horas, e dia 13 às 19 horas. Ingressos à R$ 12,00 antecipados na escola, até sexta-feira, ou na bilheteria do teatro à partir das 19 horas (sábado) e 18 horas (domingo).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Bicho Papão


Você já viu o Bicho Papão? Então clique no link aí atrás e conheça a obra de Doris Dick!

Crônica: Vitória!

No mundo estranho da educação brasileira, Guilherme Finotti abriu uma porta para milhares de brasileiros. Como apoio da imprensa local e também nacional, o estudante conseguiu fazer aquilo que não deveria de ser comemorado como uma vitória, porque é um direito de todos nós: conseguiu fazer a prova do Enem no último fim de semana.

O Guilherme, para quem não sabe, sofre as sequelas de uma paralizia cerebral. Tem dificuldade para falar e para se locomover e precisava de condições especiais para responder à prova. O MEC dizia que não dava para ser, porque as condições especiais que o Guilherme precisava era um computador com a prova e um programa adequado para ler a prova e respondê-la. Diziam que ele ia se conectar à Internet e obter as respostas lá, como se nunca tivessem ouvido falar em computador que não tem conexão com a rede. E já se sabe, em pleno século XXI, isso é muito difícil de se conseguir; em um país que jactou-se no começo do ano de pagar sua dívida histórica com o FMI e passar de devedor à credor, isso é muito difícil de se conseguir; no maior país da América Latina, que tem um presidente que vai a tudo quanto é evento internacional , isso é muito difícil de se conseguir; no país que almeja ter assento do Conselho de Segurança da ONU, isso é muito... ah, você já sabe.

O difícil é conseguir fazer o Brasil investir verdadeiramente na educação. Com seriedade e com convicção absoluta de que o caminho é esse e nunca houve, não há e nunca haverá, outro. O professor Sarlet é que tinha razão.

A reinvidicação do Guilherme não devia de ser uma reinvindicação. Devia ser o óbvio ululante. Um jovem que, em qualquer condição imaginável, almeja chegar à universidade através dos caminhos convencionais, e não burlando a moral e sabotando a ética, deve receber do governo que regulamenta essa mesma educação, todo o apoio e tudo o que estiver ao alcance de um ministério como o MEC fazer pelo estudante, deve ser feito. Isso inclui atender às necessidades de alunos com condições especiais. Seria cômico, se não fosse trágico, que se ofertasse ensino fundamental para todo estudante, inclusive para aqueles que, como o Guilherme, precisam de equipamento diferenciado e mais atenção docente, que se fizesse disso uma lei, como foi feito, para depois barrar o sujeito na prova que lhe garante o passaporte para o estágio seguinte do estudo. E, a ressalva é importante, no caso do Guilherme, quando digo "mais atenção", me refiro apenas a que as pessoas precisam aprender a ouvir o que ele diz, não que ele não tenha algo a dizer, porque ele tem e muito.

A prova do Enem, no caso do Guilherme, é só um fator burocrático. Para quem não sabe, ele já tem um pé na universidade: é um dos criadores de um projeto de informática que circula pela UFRGS. Quem sabe os benefícios que o Guilherme não poderá trazer para o futuro do Brasil? Aliás, por que não se fala mais no famoso "futuro do Brasil"? Caiu de moda? Já chegou e decepcionou? Precisamos falar nisso, falar muito e falar agora, precisamos sonhar com um novo futuro e o mais rapidamente possível. Precisamos criar novos objetivos para alcançar. Daqui para frente, nos anos que virão, haverá uma importante inversão de valores. Quem poderá mais não será o mais forte, como até agora tem sido a lei da Natureza. Será o mais inteligente. E para isso, precisamos apostar na inteligência. Uma noção difícil de compreender e reconhecer, mas da qual depende a sobrevivência de todos nós.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Crônica: A assombração da casa vizinha

Começo a quebrar minhas próprias regras: eu tinha me prometido que no blog só entraria material sobre a vida cultural de Novo Hamburgo (e é só ver na Agenda ao lado para se dar conta de que pelo menos espetáculos é o que não falta nesta cidade. O que falta é público que compre ingressos antecipados - o show do Almir Sater, sexta-feira, foi cancelado por causa disso. E às vezes falta público mesmo, infelizmente... e fecho parágrafo sem mais delongas), mas o que Campo Bom, nosso vizinho, fez, terminou afetando diretamente a vida cultural local.
E o que Campo Bom fez foi um teatro. Só isso: um teatro com um bom palco, com uma platéia boa, cadeiras confortáveis e entorno bonito. Os taxistas até sabem onde fica! Você entra no táxi e pede para ir ao teatro e eles te levam sem nem mesmo piscar!
Experimente fazer o mesmo aqui em Novo Hamburgo. Experimente!

Pois então, depois de muitos desencontros anteriores, consegui ir ao Teatro Marlise Saueressig (sim, é minha parente: é prima, e com muito orgulho!). Fui assitir ao espetáculo de fim de ano da Allegro Ballet: "Um sonho de princesa", a primeira parte, agrupou as meninas pequenas, e"O Fantasma da Ópera", que reuniu as alunas mais avançadas. Teve tudo aquilo que a gente espera da Allegro: cenário, utilização dos recursos técnicos, muito colorido, belas músicas, belas coreografias. Teve bailarinazinha procurando os pais na platéia lotada e esquecendo que tinha de dançar, teve bailarinazinha abanando e teve um trio de bailarinas pequenas que passou a coreografia toda conversando, levando altos papos e divertindo todo mundo. Teve bailarinas em pontas e joelhos tremendo, muitos nervos, muita emoção. É assim neste mundo da dança, quando as bailarinas sobem ao palco poucas vezes por ano. Melhor seria se elas pudessem se dedicar mais e dançar mais vezes. Ah, por certo: o grande destaque da noite, para mim, foi o Baile de Máscaras de "O Fantasma da Ópera", que eu não fotografei porque fiquei apreciando o belo trabalho de coreografia e de ensaio: 17 meninas em idade pré-adolescente executando a sequência de movimentos. Para quem sabe alguma coisa de dança, a certeza: deu muito trabalho. Mas valeu, muito, a pena. Ficou lindo.

Ao mesmo tempo em que ia apreciando o espetáculo, fiquei pensando no nosso pobre Teatro Paschoal Carlos Magno, o teatro do Centro de Cultura. Ele nunca agradou completamente a classe artística local, mas os anos de descaso do poder público o deixaram em petição de miséria. Comparações são odiosas, mas a gente sempre as faz: a entrada do teatro de Campo Bom é um show (o nosso também era. O espaço aberto à direita e à esquerda da escada de acesso à sala de espetáculo abrigava exposições. Não sei porque elas sairam dali, se o local não era adequado, se não há ninguém para ficar de olho nas obras ou se algum outro problema se impôs. A questão é que hoje o espaço das laterais do saguão são espaços vazios destinados à acolher o público sobretudo na saída das apresentações). As poltronas em Campo Bom são confortabilissimas e devidamente numeradas, além de estarem fixas no chão (parece engraçado citar isso, não?). Os degraus da platéia estão iluminados por luzinhas de emergência. O chão do palco é ótimo. O teatro possui ciclorama, uma boa iluminação de cena, uma cabine de som moderna e bem equipada... Tem defeitos? Tem, lógico, todo lugar tem, não existe um que agrade a todo mundo. Como o teatro de Novo Hamburgo, o de Campo Bom tem espaço para bomboniere, mas a mesma não estava funcionando, o que sempre me parece um desperdício. O banheiro feminino junto à bomboniere precisa de um ou dois reparos (já tem recepiente de sabonete líquido estragado. Parece um detalhe bobo, mas é assim que começa. Se essas pequenas coisas não são solucionadas logo, o probleminha de vinte reais em pouco tempo se transforma num transtorno de vinte mil). Os corredores da platéia são estreitos (mas os degraus são bons de descer e subir) e não tem passagem próxima ao centro da platéia, o que obriga as pessoas que sentem no centro a fazer meia carreira se levantar se precisarem trafegar durante o espetáculo pela razão que for.

Enfim, quem procura defeito, termina achando problemas até na Ópera de Paris!

A questão é que no teatro de Novo Hamburgo a gente não precisa procurar os defeitos: eles vêm de encontro às pessoas. A falta do ar condicionado é a mais óbvia, mas o tamanho dos banheiros para o público, a dificuldade de vencer os primeiros degraus das escadas de acesso às laterais superiores, o estado do carpete (de novo! Já tínhamos passado por isso!), o estado das poltronas, cada vez mais soltas e cada vez mais lamentáveis, são os que se pode ver e sentir. Mas há outros. A manutenção das poltronas, por exemplo, é uma questão delicada, porque é preciso estar atento e fazê-la logo, antes que voltemos ao estado anterior da história do teatro, quando as "poltronas" eram cadeiras de plástico presas aos degraus que compõe a platéia e que, com o passar do tempos e das pessoas, terminaram se soltando e levando a mais um a pagar mico ao revirar um belo tombo diante de todo mundo.
Tudo isso é problema de manutenção. Problemas que em sua origem podem ser resolvidos com um orçamento baixo, mas que com o descaso do poder público que o gerencia em nome dos contribuites que pagam seu IPTU, terminam se tranformando em problemas enormes solucionáveis apenas à base de dispendiosas reformas que sugam recursos que deveriam ser investidos em outros setores. Não me refiro a atual administração em particular. Francamente, e correndo o risco de parecer partidária, acho que a atual equipe da SECULT de Novo Hamburgo tem se puxado e feito muito com muito pouco. Os problemas do Paschoal Carlos Magno são antigos, remontam há três ou quatro administrações anteriores.

É verdade que o Hospital Geral precisa de mais dinheiro do que o Centro de Cultura, porque é uma questão de necessidade. O hospital salva vidas e atende à saúde do município. Mas também, sim, é verdade, a cultura local é atualmente o setor em que menos se gasta e que ainda assim gera recursos: tudo o que entra nos cofres da Cultura hamburguense, desde os centavos do xeróx da Biblioteca Pública, até o borderô das apresentações no Centro de Cultura, vão para o caixa único da Prefeitura onde os valores são destinados a tudo, menos à manutenção e à reforma dos espaços culturais.
Então é isso: assitindo ao "Fantasma da Ópera" da Allegro Ballet, percebi o quanto o teatro de Campo Bom tem assombrado o de Novo Hamburgo, com sua juventude, seus recursos técnicos, sua elegância. Mas é bom lembrar: o teatro-cinema de Sapiranga, quando foi inaugurado, também foi imensamente saudado pelos artistas da região e imensamente invejado pelos artistas hamburguenses, pelas mesmas razões, já naquela época: Sapiranga oferecia boa platéia, bom palco, bons recursos, tudo funcionando bem, tudo belo e faceiro. Mas infelizemente os alardeados recursos do teatro foram se perdendo ao longo dos anos e a última vez em que visitei a cabine de som e projeção percebi que ela se transformou num lugarzinho maneiro para esconder alguns equipamentos do tempo do epa. Brr, chega a dar um arrepio!

O Eric do romance, o verdadeiro fantasma, já sabia no final do século XIX, que só existe uma assombração que realmente atormenta a vida dos teatros público: os políticos eleitoreiros, que só pensam no voto fácil, nas leis demagógicas e não no trabalho sério de administrar os bens públicos. Um teatro é um bem público, que nós pagamos todos os anos. E também é um negócio e como tal deve ser encarado: um negócio que pode gerar importantes recursos destináveis às áreas mais necessitadas da administração pública local, mas que requer investimento sério e manutenção constante para continuar gerando a renda desejada. Teatro vazio - de espetáculo e de público - não dá retorno, só transtorno.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Domingo à tarde: silêncio


De vez em quando - cada vez mais de vez do que de em quando - me dou conta de que tem muita coisa que eu nem penso que vai desaparecer, porque sempre esteve lá, desde que eu me recordo por gente, que parece que são eternas, porque o sentimento de eternidade é uma coisa pessoal e remota. Nem penso nelas.
Era assim com a voz do Lombardi, que morreu nesta quarta-feira. Quando eu era pequena, assistia ao programa de perguntas e respostas do Sílvio Santos. Detestava a música, mas gostava do programa, gostava de aprender e me divertia quando percebia que sabia a resposta. Gostava de tentar adivinhar o assunto sobre o qual os candidatos iam escolher responder, gostava de ver as janelinhas se abrindo, revelando o mistério da pergunta que levava ao mistério da resposta. E, por trás de tudo estava a voz do Lombardi, o cara que nunca aparecia, o escada perfeito para o apresentador que na época era jovem. Cresci ouvindo a voz do Sílvio e a voz do Lombardi contracenando no fim de semana. Depois que fiquei mais velha, me perguntava o que seria da TV brasileira no dia em que o Sílvio Santos morresse. Uma comoção nacional, como quando morreu Ayrton Sena? Isso, e mais? Um alívio para mim, que detesta programas de auditório?
Para minha surpresa, quem se calou não foi o protagonista, foi o homem em off, o cara que não aparecia e nem precisava, porque a sua voz era o seu rosto. A vida é realmente um roteiro incrível.
E agora me pergunto "o que vai ser do Sílvio agora?". Porque o Sílvio e o Lombardi eram uma dupla, como feijão com arroz. Eram como um par de tios que a gente recebe no final de semana porque não tem mais remédio e que subitamente percebe que na verdade eles tinham sua importância, porque faziam parte da vida da gente. Mais do que brasileiros, os dois davam identidade à tarde brasileira do domingo. A outra tarde, a dos que não não assistem futebol mas nem por isso deixam de viver no País Tropical de Jorge Ben Jor.
Agora não há mais a dupla. Há apenas um só. Só o Sílvio. Como outros tantos apresentadores que tem medrado nos últimos anos, um único sujeito. Terrível sinal das mudanças do Tempo: os amigos saem de moda para serem substituidos pelo Indivíduo. O Indivíduo que, por estar sozinho, não tem com quem dialogar. Fala e fala, e como ninguém lhe dá resposta, grita no microfone, como se não soubesse para que serve, como se na falta de alguém para ouvir, necessitasse ouvir a si mesmo. Ninguém lhe responde, só o eco. E o eco é oco, é vazio, é repetição de si mesmo.
Quem sabe, neste fim de semana, o melhor mesmo seja o silêncio. Sem panos quentes, sem subterfúgios. O Tempo, esse gigantesco rodamoinho que nunca se repente, mesmo fazendo a mesma espiral, passa depressa demais.